6.12.09

Os melhores de 2009

2009 foi o ano em que quase todas as minhas bandas preferidas resolveram lançar disco. Portanto não foi muito difícil escolher os 10 mais, só foi difícil ranqueá-los.

No final das contas, abandonei qualquer compromisso com a imparcialidade. Afinal, eu só ouvi mesmo os lançamentos das minhas bandas queridas. A vida é muito curta pra eu perder tempo procurando algo novo.

Assim, principalmente nas 3 primeiras óbvias posições (você leu esse post?), a lista reflete completamente meu gosto pessoal desde sempre e os discos que foram mais importantes para o meu ano. Eu não seria justo comigo mesmo se colocasse outro artista no pódium.

Você vai notar que minha opinião em relação a muitos discos mudou radicalmente desde que eles foram lançados. Aí que está a graça da coisa toda, não? Querendo listas sérias e teoricamente imparciais (nenhuma é de fato), fineza procurar nos sites de publicações especializadas e nos blogs daqueles seus amigos indies.

A minha lista é feita com o coração na ponta da chuteira.

Top 10 Álbuns de 2009

10.

Mr. Lucky (Chris Isaak)
Melhor seleção de baladas de dor de cotovelo desde que o mestre Roy Orbison se foi. Melhorou muito depois de algumas ouvidas.

9.

Backspacer (Pearl Jam)
Apesar de ter melhorado depois de algumas ouvidas, não foi o suficiente pra me encantar. Nenhuma música me chamou a atenção, mas por outro lado nenhuma me incomodou. Ainda assim, Pearl Jam é Pearl Jam e tem lugar cativo nos meus tops anuais.

8.

Wilco The Album (Wilco)
Um disco que prometia mais do que entregou. Foi perdendo a força ao longo do ano. As faixas mais popzinhas ("You and I", "I'll Fight") enjoaram fácil. Wilcão ficou devendo, mas tem umas duas ou três músicas ali que garantem a oitava posição.

7.

Beware (Bonnie 'Prince' Billy)
O cowboy Will Oldham vem ganhando pontos ao longo dos anos, lançando coisa boa direto. Mal me recuperei do "Lie Down in the Light" e ele já veio com esse "Beware". Dessa geração de novos singers-songwriters folk ele é o melhor disparado.

6.

Together Through Life (Bob Dylan)
Se o disco de inéditas do Dylan não marcou tanto assim a minha vida, o homem ganhou pontos por tabela graças ao belíssimo disco natalino que saiu no fim do ano.

5.

The Latest (Cheap Trick)
O Cheap Trick está em grande fase, mas permanece a banda mais subestimada do mundo. Aposto que só vai entrar na minha lista, apesar de ser o disco mais divertido do ano. Paralelamente, ainda fizeram turnê tocando o "Sgt. Peppers" inteiro e lançaram disco da façanha. Poucos teriam essa coragem.

4.

The Resistance (Muse)
Se eu fosse votar com a razão, deveria estar em primeiro. Sinfonias grandiosas, rock de arena, conceitos nerds, hinos sobre revoluções em planetas distantes e o Muse se consagrando com uma das bandas mais legais da década. Matt Bellamy vale o avatar no Guitar Hero 5.

3.

Working On a Dream (Bruce Springsteen)
Um disco que nasceu em 2008 com a vitória do Obama e a trilha do "The Wrestler". Porém, mais do que um disco ou uma faixa-título inspiradora, foi a alma do álbum que me levou a Nova York, pra ver o melhor show da Terra. Não preciso explicar mais nada.

2.

The Circle (Bon Jovi)
Tudo que eu critiquei eu retiro aqui. As letras são ótimas, mais da metade do disco arrebenta meu pobre coraçãozinho e "Superman Tonight" é a baladona que eu pedi a Deus. Melhor disco do Bon Jovi desde o começo dos anos 90, fácil. O amor é a única regra, nós não nascemos para seguir, você tem que aprender a amar o mundo onde vive e eu posso ser feliz agora.

1.

No Line On The Horizon (U2)
Eu nem sei explicar como esse disco mexeu comigo. Ele não marcou só este ano. De alguma forma ele pareceu marcar épocas anteriores ao seu lançamento. A coisa foi tão séria que eu tive que parar de ouvir por um tempo. As músicas estavam entrando num lado do meu subconsciente que eu não queria que ninguém entrasse. Vai levar um tempo pra eu assimilar o que "No line on the horizon" significou pra mim. Mas por enquanto eu digo que, pra variar, o U2 fez mais uma bela companhia para viagens. Interiores, exteriores, reais ou imaginárias. O infinito é um bom lugar para se começar.

Bônus Tracks

Agora meu presente de Natal para vocês, crianças. Minhas músicas preferidas lançadas em 2009, seguindo as regras hornbyanas de não repetir artista, é claro. Elas não estão em ordem de preferência, mas estão numa sequência lógica de audição, ou algo bem próximo disso. Algumas significam muito pra mim e me lembram pessoas (ou lugares) especiais. Outras não siginificam porra nenhuma e eu nem sei por que estão ali. De qualquer forma, fica a coletânea para a posteridade. Baixe e divirta-se.

Registro Dissonante Best Of 2009
Baixe aqui.



1. Empire State of Mind (Jay-Z Feat. Alicia Keys)
2. My Lucky Day (Bruce Springsteen)
3. Superman Tonight (Bon Jovi)
4. Moment Of Surrender (U2)
5. Beyond Here Lies Nothin' (Bob Dylan)
6. Just Singing A Song (Neil Young)
7. Country Disappeared (Wilco)
8. I Don't Belong To Anyone (Bonnie 'Prince' Billy)
9. Just Breathe (Pearl Jam)
10. You Don't Cry Like I Do (Chris Isaak)
11. Sea of Heartbreak (Rosanne Cash Feat. Bruce Springsteen)
12. Alive (Cheap Trick)
13. No You Girls (Franz Ferdinand)
14. Guiding Light (Muse)
15. Fragile Tension (Depeche Mode)
16. Watching The Planets (The Flaming Lips)
17. Me And Stephen Hawking (Manic Street Preachers)
18. I Don't Want To Let You Go (Weezer)

5.12.09

The List

(Rosanne Cash)



Aos 45 minutos do segundo tempo, com meu top discos do ano já formatado e pronto para ganhar as ruas, eis que fico sabendo, graças às indicações do Grammy, da existência de um disco novo de Rosanne Cash com participações especiais de Bruce Springsteen, Elvis Costello, Jeff Tweedy (Wilco) e Rufus Wainwright.

Rosanne é a filha mais velha de Johnny Cash com sua primeira esposa, Vivian. Quando ela fez 18 anos, o pai lhe presenteou com uma coleção de 100 clássicos norte-americanos, pra menina se familiarizar melhor com a música country. Dessas 100, Rosanne selecionou uma lista de 12 para este novo disco. Só essa história já valeria o download de "The List", vamos combinar.

Se você tem pavor de cantoras country, é bom saber que Rosanne há algum tempo se mudou de Nashville para Nova York. Seu som se tornou mais sofisticado, com influências de blues e jazz, o que a deixa mais parecida com outra filha de gente famosa, Nancy Sinatra, do que com a mulher que roubou seu pai de sua mãe, June Carter.

A seleção inclui composições que ficaram famosas com Jimmy Rodgers, Patsy Cline, Merle Haggard e Família Carter, entre outros. Mas se você não conhece nada disso, lembre-se das participações especiais. Os quatro convidados fazendo backing vocal para Rosanne são perfeitos. E eu tenho que citar o momento particularmente emocionante em que Bruce Springsteen imita seu ídolo Roy Orbison como nunca, na maravilhosa "Sea of Heartbreak".

Mas deixar os elogios só para as atrações convidadas é desmerecer o belo trabalho de Rosanne, que também manda bem sozinha em pérolas como "500 Miles" e "Girl From The North Country", outro ponto alto do disco, musicaça que o papai Johnny Cash gravou ao lado do autor Bob Dylan.

Obrigado, Rosanne. Homenagens a familiares e aos clássicos do passado são sempre bem-vindas, especialmente nessa época do ano.

3.12.09

Professores

"We learned more from a three minute record, baby, than we ever learned in school."



De todos os aprendizados da minha recente viagem de férias, um dos mais importantes foi uma constatação óbvia: de tudo que eu já ouvi na vida, nada supera esses caras aí da foto. U2, Bruce Springsteen e Bon Jovi, os três que eu tive a sorte de ver na viagem, são a santíssima trindade, a trilha sonora definitiva da minha vida. Não é novidade. Se você me conhece minimamente, já sabia disso.

Eu só não imaginava que, depois dos 30, ainda fosse dar tanta importância a bandas de rock assim. Eu nem entendia direito o que era essa força capaz de me levantar da cadeira e de me levar pelo mundo afora, até ler essa belíssima coluna de um jornalista do New York Times sobre a tal educação emocional. Agora tudo faz sentido.

A questão musical já ficou pra trás faz tempo, o buraco é mais embaixo. U2 e Bon Jovi vêm falando comigo desde o começo dos anos 90. O Chefe, há menos tempo, só uns 4 anos. Mas o last.fm não me deixa mentir, foram 4 anos tirando o atraso. Ele também fala comigo. Aquela cena do "Alta Fidelidade" em que ele aparece no quarto do Rob dando conselhos não é à toa. Aquilo é muito sério.

Veja, não é questão de fanatismo cego. Eu não perco tempo decorando os nomes dos filhos dos caras ou quanto eles calçam, esse tipo de informação irrelevante. Eu mesmo às vezes me irrito com as politicagens do Bono ou com algumas letras sem vergonha do Bon Jovi. Mas eu gosto de saber com quem eles andam, quem são seus ídolos, quais são suas trajetórias, as motivações para eles fazerem o que fazem, pra conseguirem chegar aonde chegaram. Sinatra, Elvis, Dylan, Cash, Orbison, Beatles e Rolling Stones. Nada é por acaso. Os ídolos deles são meus ídolos também, não tem como evitar. Eu respeito as hierarquias.

Considero-me uma pessoa de sorte por ter um trio especial desses na minha vida, já que são três legítimos representantes de um gênero em extinção: aquele artista capaz de levantar um estádio. Tem alguns tipos de pessoas que eu considero iluminadas. Astronautas, por exemplo. E... Não consigo pensar em nenhum outro exemplo, então vou direto para os frontmen de bandas que levantam estádio. O cara que faz mais de 50 mil pessoas cantarem uma música juntos, abraçados e emocionados, só pode ser uma pessoa iluminada, escolhida, com um dom especial. Insira aqui a conotação religiosa que você achar mais adequada. Não é pra qualquer um. Dá pra entender por que o Bono veste a carapuça de messias. Você também se acharia um deus se fosse capaz de comandar milhares de pessoas em um transe hipnótico.

Tenho orgulho e fico lisonjeado quando algum amigo diz "ouvi (um dos três) e me lembrei de você". Tanta gente já fez isso e é um prazer saber que sou top of mind, mesmo que muitas vezes a pessoa esteja tirando sarro - principalmente no caso do tão subestimado, desprezado e rejeitado Bon Jovi, o patinho feio do trio, apesar de ser o mais bonito. Você entendeu. E assim eu imagino que muita gente que quer me esquecer deve ficar puta da vida quando entra numa loja qualquer e o Bon Jovi está lá, estourando nos alto-falantes de alguma FM. Deve ser bem difícil se livrar de mim, porque meus amigos estão por toda parte. Rá! É muito mais fácil esquecer fãs de bandas desconhecidas. Deve ser a única vantagem de namorar uma indie.

Como doutorando em educação emocional com mestres orientadores assim, eu chego a ter pena de quem não tem bandas preferidas, bandas do coração, bandas que o acompanham ao longo da vida. É outra relação com música. Tem gente que ouve música para avaliar técnica, qualidade artística. Tem gente que ouve música pra dançar, passar o tempo, distrair a cabeça. Respeito isso tudo aí, mas se você não aprende nada com música, você está desperdiçando decibéis. Pode ser o Fresno ou o Mozart, tanto faz. É tudo música de elevador, som ambiente, lounge, não acrescenta nada.

Também tenho pena de quem tem bandas insignificantes entre suas preferidas. Aquelas bandas sem café no bule que somem depois do terceiro disco, ou cujo vocalista se mata, algo do tipo. Deve ser triste ser abandonado assim no meio do processo educativo. Quase uma traição, um pé na bunda. Minhas três preferidas não, elas estão sempre por aí - a mais novinha acaba de completar 25 anos. Sinto que posso contar com elas. Todos são bem casados (Bono e Jon com as namoradas do colégio; Bruce com a colega de palco), fiéis aos amigos e a um sonho inocente de conquistar o mundo. Bono disse uma vez: "Quando você é moleque, você acha que pode conquistar o mundo. Às vezes você está certo."

Sei que, em algum momento lá atrás, tanto Bono em Dublin quanto Bruce e Jon em alguma cidadezinha de New Jersey estavam ouvindo música e pensando no futuro, quando se identificaram com uma determinada voz. Uma voz que transmitia uma mensagem que eles precisavam ouvir. E essa voz fez com que eles se levantassem e corressem atrás de seus sonhos, ao redor do mundo. Como, de certa forma, eles fazem comigo todo dia.

PS: Bon Jovi (1), Bruce Springsteen (4) e U2 (3) foram indicados ao Grammy hoje. Tô na torcida, é claro.

The Beach Boys

(Credicard Hall, São Paulo, 02/12/09)

Quando os Beach Boys foram recebidos no Hall da Fama, o vocalista Mike Love surtou e fez o discurso mais bizarro da história, chamando os Beatles e os Rolling Stones pro pau e xingando meio mundo no caminho. Mais tarde naquela noite, quando Bob Dylan também foi homenageado, ele discursou: "queria agradecer ao Mike Love por não ter mencionado meu nome".

Foi esse Mike Love que apareceu por aqui ontem, agora dono da franquia, depois de ganhar na justiça o direito de usar o nome "Beach Boys". Ao seu lado, das antigas, apenas Bruce Johnston, o membro mais animado da banda e responsável por literalmente levantar a plateia do Credicard Hall.

Quarta-feira de calor em São Paulo, clima propício para um show do que sobrou dos lendários Beach Boys, mas parece que ninguém deu muita bola. O Credicard estava vazio e a organização liberou o piso inferior para quem estava nas cadeiras superiores. Queria saber de quem foi a ideia de colocar cadeiras na pista, já que até o roqueiro mais ancião presente estava disposto a chacoalhar o esqueleto ou dançar de rostinho colado com a patroa. Ver Beach Boys sentado não dá.

Assim, apesar do calor, o clima demorou um pouco para esquentar. Foi só quando Johnston deu a ordem que o povo resolveu se levantar de vez e ignorar os assentos. Mike Love não tem lá muita presença de palco, é um tiozão de camisa florida e boné com voz de moleque, mas assim como nos recentes shows de Brian Wilson, a banda que o acompanha carrega o piano por ele. Na comparação, o Brian que passou por aqui no Tim Festival de 2004 ganha por se tratar de uma figura mais trágica e mitológica, e por contar com uma banda maior, mais completa e animada.

Ainda assim, Beach Boys são Beach Boys mesmo que só em espírito, e seu repertório mágico supera qualquer obstáculo, mesmo passando pelas fases negras dos anos 80 - e olha que eu gosto de "Kokomo" graças ao filme "Cocktail". De "Good Vibrations" a "I Get Around" a "Sloop John B" a "Barbara Ann" a "Good Only Knows" a "Wouldn't It Be Nice" a tantas outras, os Beach Boys desfilaram todos aqueles hits eternos ontem, todo mundo dançou e cantou e foi pra casa feliz. E eles até tocaram uma canção natalina no bis, olha só que lindo.

Pode parecer banda de baile ou cover de si mesmo, mas a vida parece mais leve com Beach Boys por perto. Deve ser o efeito alucinógeno daqueles backing vocals do além.

2.12.09

Mulher de Bigode

Talvez você não saiba, mas eu e o renomado músico Vlad Rocha temos uma parceria prolífica de anos e anos compondo grandes sucessos jamais gravados da música popular brasileira. Somos como Lennon & McCartney, Jagger & Richards, Jon & Richie, Sullivan & Massadas.

Eis que uma de nossas maiores proezas voltou a minhas mãos agora, depois de muito tempo perdida por aí. Resolvi compartilhar, pra que ela não se perca nunca mais.

Trata-se de uma referência a Roberto Carlos, daquela fase em que o Rei cantava sobre mulheres de 40, mulheres gordinhas, mulheres mancas, mulheres corintianas e etc. A nossa homenageada é a tão esquecida, rejeitada e desprezada mulher bigoduda.

Se alguém resolver criar uma melodia pra isso, fineza mostrar pra gente depois. Obrigado.

"Mulher de Bigode"
(Thibes/Rocha)

Mulher de bigode...

Teu charme é maroto
Teu buço é enorme
E ninguém te fode
Mulher de bigode!

Engoliste um pardal com o rabo de fora
Me lembras o Magnum
Mas curtes pagode
Mulher de bigode!




Teus longos pelos
Se confundem com teus belos cabelos
Embaixo do braço, será?
Quero vê-los!
Mas ninguém mais pode
Mulher de bigode!

Teu rosto é divino
E tens bafo de bode
Me lembra o Rivelino
Mulher de bigode!




Mustache maroto
E um sorriso tão "in"
Sabe quem tu lembras?
O vocalista do Queen
Por isso esta ode,
Oh, mulher de bigode!




Sorriso matreiro
Me recordo do Lorde
Dom Pedro Primeiro
Mulher de bigode!




Tua boca, cadê?
Não consigo vê-la sorrir
Quando penso em você
Lembro-me do Valdir




Te ponho um sombrero
E és uma mexicana
Para te encarar
Só sendo um pé de cana

E ainda assim te amo demais
Ainda que os pelos me sejam fatais
Pois quando te beijo
não respiro mais
Seu bigode entope minhas vias nasais

Se é pra morrer, morro feliz
Não tomo cachaça
Eu só tomo toddy
Mas faço tudo por você
Mulher de bigode!


1.12.09

Balanço do Brasileirão

O campeonato ainda não acabou, mas vou me antecipar. A década também não acabou e todo mundo já fez listas de melhores da década. A ejaculação precoce está na moda. Todo mundo sabe que o Grêmio não vai ganhar do Flamengo pra ajudar o Inter. Bem, eu não ganharia. Assim como, se eu fosse o zagueiro do Atlético Mineiro, meteria a mão naquela bola que o Diego Souza chutou do meio de campo. Estragaria o gol mais bonito dos últimos tempos, seria expulso, o gol sairia de pênalti, dane-se. Fair play de cu é rola. Quem pede fair play nessas situações nunca jogou bola na vida. É a maldita geração criada em condomínio, responsável pelas bandas emos, pelos vampiros vegetarianos e pelos boleiros de Winning Eleven. Essa geração ainda vai acabar com tudo de bom que existe no mundo.

Brasileirão 2009 foi o Campeonato Brasileiro da Incompetência e da Choradeira. Meu time fez sua parte no ramo da incompetência, mas eu não quero compactuar com a choradeira. Não vou entrar no clichê da teoria conspiratória de que foi tudo armado pro Flamengo. Palmeiras e São Paulo perderam porque foram incompetentes, ponto. Se houve problema de arbitragem e absurdos do tal STJD, isso tudo será esquecido com o tempo. A gente só lembra de campeonatos roubados quando o Corinthians é o beneficiado, pra poder tirar sarro. Como a incompetência foi a palavra-chave, acho justo que o campeonato acabe na mão de um time carioca. A imensa torcida de humoristas do Flamengo já pode comemorar o penta único. Talvez até a CBF lhes entregue a taça de bolinhas agora.

Apesar do meu time ter sido o último a entregar o ouro pro Flamengo, eu ainda acho que o papelão do Palmeiras foi pior. Esquentaram a poltrona da liderança durante a grande maioria do campeonato e pipocaram na hora H. Dizem que a culpa foi do Vagner Love, o jogador mais mascarado do futebol brasileiro que desestabilizou o elenco, mas vai saber. O São Paulo chegou como quem não quer nada, depois de superar uma pequena turbulência e a troca de técnico, e ocupou a vaga. Parecia que ninguém queria o título, então natural que o atual tricampeão consecutivo se candidatasse. Só que aí todo mundo acordou, afinal seria muita vergonha para todos os envolvidos ver o São Paulo tetra. A Globo já estava até pensando em mudar o regulamento do campeonato. Porém, convenhamos, quem perde pra Botafogo e Goiás na reta final não merece ganhar nada.

A Libertadores 2010 provavelmente terá o trio de ferro paulista, mais Inter e Flamengo. Vai ser divertido. Toda Libertadores com Corinthians, nosso comic relief, é divertida. Corinthians que foi pequeno no Brasileiro, coadjuvante, jogou a toalha cedo demais. Se tivesse mantido o elenco do primeiro semestre, estaria brigando pelo título agora. Cara, Petkovic pode ser eleito o craque do campeonato. Pense nisso. Sem muito esforço essa vaga poderia ser sua, Ronaldo.

Assim nós, sãopaulinos, terminamos um ano sem título. Coisa que não acontece desde 2004. Minha camiseta 6-3-3 vai durar mais um ano, não gastarei com pôsteres e DVDs comemorativos. Entretanto, temos motivos para comemorar. Se a década está acabando, eu quero o título de "Time da Década". E do século e do milênio, até agora. Chupa.

25.11.09

Johnny Cash: I See A Darkness

(Reinhard Kleist)



Já passei bons momentos da minha vida lendo quadrinhos, mas acho que chorar foi a primeira vez. A graphic novel "I see a darkness" é a biografia do Johnny Cash criada pelo alemão Reinhard Kleist com base na autobiografia do homem e em outros relatos de sua mitológica e agitada trajetória.

Existem muitas formas de se contar a história de Cash. Kleist escolheu uma visão bem diferente do romantismo mostrado no cinema em "Johnny & June", que é bom demais mas ignora momentos significativos como o cantor botando fogo numa floresta ou o primeiro encontro de Johnny e June, quando ele disse que iria se casar com ela um dia - maior pecado do filme. Por outro lado, nos quadrinhos o papai Ray Cash não é mostrado como um carrasco cruel. As obras também têm suas diferenças sobre o exato momento em que o casal mais querido da cultura pop recente finalmente junta os trapos.

Assim como o filme, "I see a darkness" não tem a pretensão de cobrir toda a vida do cantor, focando em momentos específicos e dando um salto do antológico show em Folsom Prison até os últimos dias de Cash, já viúvo, gravando os "American Recordings" numa cabana isolada com o produtor Rick Rubin. A transição entre as duas épocas é de uma beleza impressionante, assim como todos os momentos lúdicos em que Kleist ilustra clássicos de Johnny Cash usando-o como protagonista de suas histórias. Como é lindo ver, logo nas primeiras páginas, Cash atirando em um homem em Reno, só pra vê-lo morrer. Ou matando a vaca da mulher infiel depois de cheirar uma carreira de pó. Ou ainda procurando pelo pai ausente que o batizou de Sue, pra se vingar. Kleist também reproduz fotos famosas para registrar grandes momentos como a jam com Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis em Memphis.

Alguns personagens secundários fundamentais na mitologia de Cash têm a devida importância. Nossa querida e idolatrada June Carter não tem aquela participação constante do filme, mas pra variar é a responsável pelos momentos mais emocionantes da vida do Homem de Preto. E Glen Sherley, o trágico presidiário de Folsom que já foi destaque no documentário "Johnny Cash At Folsom Prison" volta a ter papel importante como narrador distante, representando todos os seus fãs.

Além de seus traços crus, com fortes contrastes em preto e branco, a graphic novel ainda traz de bônus algumas ilustrações especiais de diferentes fases da carreira de Cash por Reinhard Kleist, em páginas tão bonitas que dão vontade de arrancar e colar na parede.

Que continuem surgindo livros, quadrinhos, filmes, tributos e tudo mais que aumente o mito de Johnny Cash no mundo. E não se esqueçam de incluir os "American Recordings" nas listas de melhores da década, seus bastardos.

Uma última dica: leia "I see a darkness" ouvindo "At Folsom Prison" alternado com qualquer disco da série "American Recordings" (especialmente o terceiro, que tem a música de Bonnie 'Prince' Billy que dá nome ao livro) e você sentirá arrepios em cada quadro.

24.11.09

Raditude

(Weezer)



Não acompanho mais a vida do Rivers Cuomo, nem sigo o menino no Twitter pra saber como anda sua vida pessoal - algo importante pra compreender os passos da carreira do Weezer. Porém, imagino que as coisas estejam bem para nosso indie nerd loser favorito. Ou, se estão ruins, pelo menos estão inspirando mais do que no ano passado, quando aquele Red Album passou batido. "Raditude" traz a diversão descompromissada de garagem de volta à banda. As primeiras faixas, "(If You're Wondering If I Want You To) I Want You To" e "I'm Your Daddy", já são contagiantes como todo o Green Album, que muitos fãs xiitas odeiam mas eu adoro. O disco tem suas derrapadas, como a participação do rapper Lil Wayne em "Can't Stop Partying" ou as indian sessions de "Love is the Answer", mas tudo acaba muito bem em "I Don't Want To Let You Go", das melhores baladinhas de dor de cotovelo que Rivers Cuomo já fez na vida. Wikipédia me informa agora que o título foi sugerido pelo ator Rainn Wilson de "The Office", mais uma prova de como o Weezer pode até estar bem fora de moda entre a nova geração indie, mas continua bacana.